O que é Deus Ex Machina?


Você já ouviu falar em Deus Ex Machina? Antes que você pense nisso, não estamos falando de mais um jogo da linha Deus Ex, e sim, de um termo literário que muitos autores usam para que sua história desenrole até o fim.

Não entendeu? Calma que eu explico. O Deus ex Machina é um termo da literatura usado para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra ficcional.

Complicou? Então vamos lá... Pense que você está precisando muito de dinheiro, seu carro foi apreendido, você tem contas pra pagar, filhos pra alimentar e uma conta no vermelho. De repente, um tio de décimo quinto grau morre e deixa uma herança milionária pro seu único herdeiro: Você. Isso é o Deus Ex Maquina, essa ferramenta de plot de origem grega, que significa Deus da Maquina e que usa o surgimento de um elemento para resolver a história em si.

O termo vem do grego ἀπὸ μηχανῆς θεός (apò mēkhanḗs theós), e do teatro, quando colocavam no meio da peça, Deus, para resolver os assuntos pendentes da trama. Um dos grandes utilizadores dessa ferramenta foi Eurípedes, o famoso dramaturgo, com várias peças épicas, como Hipólito e Medéia. Podemos dizer que o Deus Ex Machina se encontra tão presente na nossa literatura por culpa do Iluminismo, que tenta redefinir a cultura ocidental, buscando suas tendências na Grécia antiga.

Fugir do clichê as vezes é uma tarefa muito complexa na hora de escrever uma história, e é por isso que aparecem tantos erros e problemas no desenrolar da sua trama. Pensando nisso, Tchekhov criou a regra da arma, também conhecida como a “Arma de Tchekhov”.

Pra começar, precisamos entender o que são o Motivo Livre e o Motivo Associado.

O Motivo livre é o adereço, é aquilo que o autor descreve apenas para abrilhantar o enredo, sem interesse que o leitor perca tempo com o objeto em questão. Já o motivo Associado, é aquele que precisava estar ali, porque só com ele a história irá se desenvolver. Os motivos livres podem se transformar sutilmente na frente do leitor para motivos associados.

Quando temos o Deus ex Machina, isso não ocorre, porque o motivo livre simplesmente não estava lá. Ele surgiu como magia, e falando em magia, quando Harry Potter tirou a espada de Gryffindor do chapéu Seletor na câmara secreta, ele estava protagonizando essa ferramenta de Plot.

Tchekhov explica que se você descreve uma arma na primeira cena, em algum momento da história, essa arma TEM que disparar. Em Sherlock Holmes podemos ver isso com clareza. Se existe algo de importante no cenário, Sir Arthur Conan Doyle vai descrevê-lo com detalhes.

Uma outra ferramenta para fugir do Deus Ex Machina é o uso do Red Herring, ou Arenque Vermelho, a expressão quer dizer disfarce, pista falsa, mas consiste em você descrever vários objetos juntos e um daqueles ser algo importante para a história.

Apesar do Deus Ex Machina ser muito mal visto, como no caso de Harry Potter e em tantos outros, o fato do objeto aparecer do nada, não impede a história de ser fantástica e de nos cativar por completo. Usando outro exemplo famoso, Em Senhor dos Aneis, águias vem ajudar Gandalf na batalha contra Sauron, sem antes ter nenhuma explicação sobre por que as águias o ajudariam. Sou fã de ambos os livros, mas confesso que quando estou escrevendo, tento fugir da ferramenta.

E aí? Consegue identificar o Deus Ex Maquina? Sabe de algum título que o tenha? Conta pra gente aí nos comentários.


Um beijo e Boa Leitura! 

Um comentário:

  1. Adorei a dica! Estou escrevendo e às vezes é complicado fugir dos clichês mesmo.
    Tô seguindo o blog, se puder retribui a visita ;*

    www.naestradadafantasia.com

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